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Por Andréa Antunes 20 de Abril de 2026

 

Soberania, Ciência e Memória: ANE celebra 35 anos com posse de nova diretoria e recepção de Mariangela Hungria

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A Academia Nacional de Engenharia (ANE) celebrou, em sessão solene realizada nesta segunda-feira (13 de abril), seu 35º aniversário com uma cerimônia que uniu a reverência ao passado e o compromisso estratégico com o futuro do Brasil. O evento, sediado no auditório do Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro, teve a sua mesa diretora inicialmente composta pelo presidente da ANE, Mário Menel; o vice-presidente (gestão 2024-2026), Nelson Martins; pelo presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, o ex-ministro de Minas e Energia, Almirante Bento Albuquerque e o deputado federal Júlio Lopes. Em um momento marcante de transição durante a solenidade, a mesa foi recomposta para dar posse à nova Diretoria, com o engenheiro Flavio Miguez de Melo assumindo o seu lugar como o novo vice-presidente para o biênio 2026-2028.

Estiveram presentes Newton Duarte (Presidente Executivo da COGEN), José Eduardo Frascá Poyares Jardim, Presidente do Instituto de Engenharia, Eliete Bouskela, diretoria científica da Faperj, Patrícia Torres Bozza (Vice-Presidente da ABC para a Região RJ), o engenheiro Rogério Cyrillo Gomes, Dirigente do CBDB, o engenheiro Maurício Ehrlich, Diretor da ABMS, e o Sr. Cesar Cunha Pacheco, Diretor-Tesoureiro da ABCM, além de convidados e Acadêmicos. A ANE recebeu mensagens de congratulações do Secretário Vahan Agopyan (SCTI-SP), da Presidente do CREA-SC, Fernanda Maria de Felix Vanhoni e do General Armando Morado Ferreira (Exército Brasileiro).

A solenidade teve início com o tributo póstumo aos acadêmicos falecidos e ao Almirante de Esquadra Júlio Soares de Moura Neto, amigo e incentivador da ANE. O ex-ministro Bento Albuquerque, em uma saudação emocionante, definiu Moura Neto como um “marinheiro completo”, cujo legado de liderança estratégica na Marinha de Guerra e na Defesa Nacional permanece como uma marca fundamental no desenvolvimento do país.

Logo após, a exibição do vídeo institucional comemorativo narrou os 35 anos da trajetória da ANE, destacando a sua missão de promover a engenharia como instrumento de riqueza e bem-estar social, reforçando o seu papel consultivo ao reunir mentes brilhantes em torno dos temas mais sensíveis da nação.

Dando continuidade aos ritos de gratidão, a Academia prestou um reconhecimento público aos diretores que encerraram seus ciclos na gestão anterior: Alcir de Faro Orlando, Atila Freire e Nelson Martins foram homenageados pela dedicação ao engrandecimento da Academia. Francis Bogossian, ex-presidente da ANE (2017-2023) e atual presidente do Clube de Engenharia, também foi homenageado. Mário Menel, presidente da ANE, exaltou a “incansável dedicação e liderança” de Bogossian, que foi peça-chave na consolidação da Academia e na manutenção do vínculo histórico entre a ANE e o Clube de Engenharia. Em sua fala, Bogossian, visivelmente grato, relembrou as origens da instituição e reafirmou seu compromisso vitalício com a valorização da Engenharia Nacional, declarando com modéstia que continuará trabalhando para fazer jus à honraria.

No campo das definições estratégicas para o biênio 2026-2028, o presidente reeleito Mário Menel reforçou a independência da ANE como órgão consultivo. Em suas palavras, “a academia se valoriza na medida em que ela se posiciona; nossos posicionamentos nem sempre agradam a todos, mas nós temos feito isso: nos posicionado tecnicamente em benefício da sociedade e da competitividade brasileira”. O tom de urgência sobre o desenvolvimento foi compartilhado pelo Deputado Federal Júlio Lopes, que defendeu a conclusão da Usina Nuclear Angra 3 como uma prioridade absoluta para a segurança energética. O parlamentar ressaltou a necessidade de o governo destravar projetos que garantam a autossuficiência energética do país.

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O Ápice da Solenidade: A Posse de Mariangela Hungria

 

O encerramento da cerimônia foi reservado à posse da nova acadêmica titular, a engenheira agrônoma Mariangela Hungria da Cunha, que assume a cadeira 97. Referência mundial em biotecnologia, Mariangela proferiu um discurso contundente sobre os paradoxos do país. “De nada adianta estarmos fechados num laboratório, temos de estar conectados com a realidade. O Legislativo hoje tem um poder muito grande, mas ouve pouco a ciência”, afirmou.

Ao tratar da dependência externa de fertilizantes, foi incisiva: “Como pode um país onde a agricultura é tão importante, estar totalmente dependente de importação de fertilizantes? Isso é uma questão de soberania nacional”. Com a posse de Mariangela encerrando os trabalhos, a ANE reafirmou seu papel como a voz técnica e estratégica da engenharia para a próxima década.