Rio Grande, em Icém, com baixo nível devido à estiagem – Colaboração/ Wagner Batista Mendonça

O efeito da falta de chuva na região Noroeste Paulista está sendo sentido também nas usinas hidrelétricas da região. Em Icém, na Usina de Marimbondo, o reservatório está operando com apenas 17,32% da capacidade, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). É o menor nível desde outubro de 2019. O reflexo da estiagem pode ser visto nas prainhas às margens do rio Grande – em alguns locais a água recuou mais de 200 metros.

A usina está operando com uma geração média em torno de 660 megawatts (MW), o que corresponde a 45,83% da capacidade instalada. A hidrelétrica possui capacidade de gerar, em média, 1.440 MW. Outra usina da região que também está sentindo os efeitos da seca é a de Água Vermelha, localizada na divisa entre Ouroeste e Iturama (MG), que está operando com 26,02% da capacidade. Já em Ilha Solteira, a situação é melhor, com o nível do reservatório em 61,01% da capacidade.

Quem está vendo de perto os reservatórios baixos é o comerciante José Luiz Gomes Júnior, que possui uma lanchonete às margens da Usina de Marimbondo. “A água vinha antes [da estiagem] até perto do portão do meu estabelecimento, agora recuou muito.”

Segundo o vice-presidente da Academia Nacional de Engenharia (ANE), Flavio Miguez de Mello, que participou da construção da usina na década de 1970, a situação não é incomum. “É muito normal alguns reservatórios nessa época do ano baixarem o nível d’água. Porque a incidência de chuvas, que geram as vazões nos rios, varia. Na região Sudeste, as vazões são maiores na época do verão e depois descressem até setembro e outubro, que é quando as chuvas retornam”, afirmou.

No Brasil, onde a maioria da energia vem de hidrelétricas, o sistema de distribuição é interligado o que também influencia nos reservatórios de cada usina. Isso faz com que não haja risco de faltar energia elétrica na região, mesmo com os reservatórios baixos. “Quando nós vemos reservatórios, como de Marimbondo mais vazios, ele na realidade está ajudando muito outras grandes usinas que ficam rio abaixo, como a Usina de Itaipu, que é a que produz mais energia elétrica no mundo”, explicou.

Segundo a Furnas, responsável pela Usina de Marimbondo, a energia produzida nas unidades geradoras brasileiras é enviada ao Sistema Interligado Nacional (SIN), que a distribui conforme a demanda. “As usinas hidrelétricas brasileiras são componentes do Sistema Interligado Nacional e sua operação é planejada e programada pelo ONS. Os níveis dos reservatórios e a energia despachada são programados pelo ONS, responsável por operar o conjunto de reservatórios brasileiros de forma integrada, com o objetivo de garantir a segurança energética”, disse por meio de nota.

Já o ONS confirmou que o nível atual do reservatório de Marimbondo é comum nessa época do ano. “Durante estes meses, é feito um reforço na gestão de todos os reservatórios, sempre respeitando seus limites operativos e as vazões necessárias para o atendimento aos requisitos de abastecimento de energia, ambientais e de usos múltiplos da água, mantendo a excelência e a qualidade na prestação dos serviços, não havendo risco de desabastecimento no País, pois o Operador conta com uma matriz elétrica diversificada. Além da geração hidrelétrica, temos termelétricas, usinas solares e eólicas”, diz a nota.

Racionamento tem início

A estiagem levou ao racionamento em Rio Preto. Nesta quinta-feira, 17, foi o primeiro dia de corte no abastecimento na cidade, o que deixou 18 regiões, com cerca de 180 mil habitantes, sem água, entre 13h e 20h. A medida foi tomada pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Semae), por conta da estiagem e pela consequente redução na oferta de água e também pelo aumento de consumo.

A Sanessol, responsável pelo saneamento básico de Mirassol, emitiu alerta para risco de racionamento de água também na cidade, em virtude do longo período de estiagem, das altas temperaturas e do aumento dos focos de queimadas na região Noroeste Paulista.

Segundo o diretor geral da concessionária, Antonio Hercules Neto, nas últimas semanas o consumo de água subiu mais de 20% em relação ao mesmo período do ano passado e o nível da represa de captação do rio São José dos Dourados está apenas com 40% da sua capacidade, com quase seis metros abaixo do padrão. “Estamos trabalhando em ações pontuais e preventivas, porém chegamos nesse momento crucial no qual a colaboração da população é imprescindível”, falou.

A concessionária disse que monitora diariamente os indicadores e tem reforçado as rotinas operacionais para atender a população com agilidade e precisão para manter o abastecimento em Mirassol. Nos bairros mais críticos são disponibilizados caminhões-pipa para a população. E que pede aos moradores de Mirassol o consumo consciente d’água. (RC)

Fonte> Site Diários da Região / 17/09/2020/ Por: Rone Carvalho