Importância social da Engenharia: palestra aborda defesa da área

 

O Presidente Francis Bogossian proferiu a aula magna de celebração pelos 85 anos

A convite do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (Crea-RS), o presidente da Academia Nacional de Engenharia (ANE) e 1º vice-presidente CREA-RJ, Francis Bogossian, proferiu a aula magna de celebração pelos 85 anos da entidade. O evento aconteceu no dia 30 de maio, na Assembleia Legislativa de Porto Alegre (RS), onde ele ministrou a palestra “Rumos da Engenharia”, parte da programação do evento, que debateu as estratégias do Sistema Confea/Crea para o futuro.

O Presidente Bogossian falou para um público de 140 profissionais e destacou a importância da Engenharia no desenvolvimento nacional. Dando ênfase à área da construção civil, da qual é representante, o Eng. Bogossian frisou a situação atual e as perspectivas da área. “Não há desenvolvimento de nação sem Engenharia, nem Engenharia sem desenvolvimento da nação. Não existe país sem indústria forte”, afirmou, alertando sobre o atual desmonte da Engenharia Nacional. “Não há investimentos nem expectativas de melhoria. O combate à corrupção é essencial e deve ser mantido, mas não pode ser usado como desculpa para provocar a estagnação da economia nacional. A proposta a ser estudada teria como meta que as punições aconteçam, preservando ao máximo as empresas como um todo, sem levar ao desemprego.”

Para ele, as empresas de Engenharia têm importante papel social para além da geração de empregos e renda: elas educam. “São estas empresas que empregam mão de obra não qualificada e analfabeta, cursos de alfabetização são comum nos campos de obras, assim como o treinamento dos trabalhadores sem qualificação. Construção civil reduz a marginalidade, e temos que levar isso em consideração. A indústria da construção a mola alavancados do desenvolvimento nacional” defendeu. “Colapsar as empresas da Engenharia é extinguir nossa soberania.”

Também falou sobre os diversos papeis que o Engenheiro Civil pode exercer na sociedade, citando os inúmeros “tipos de Engenheiros”: o Engenheiro gestor, o professor, o economista, o empreendedor, entre outros. Sobre este último, ressaltou ser a “mola mestra do desenvolvimento”. “Tem enorme função social quando gera lucro e ‘distribui’ de forma justa aos seus funcionários. Engenheiro pode gerar riqueza e distribuí-la socialmente.”

Sobre a situação atual, apontou diversos problemas. A terceirização excessiva foi uma de suas críticas. “Crise que levou nos últimos dez anos ao desmantelamento das equipes técnicas. As empresas não mais sustentam seus departamentos multidisciplinares, transformando-se em gerenciadoras de subcontrações”, alertou.

Citou, falando da área pública, os problemas com projetos sem estudos ou com estudos insuficientes. “Projetos geotécnicos, por exemplo, se fazem muito poucos no Brasil”, exemplificou, dizendo serem as “obras de engenharia contratadas com projeto básico, que nada mais são que esboços”.

Deixou, por fim, uma proposta de que o Poder Público constitua uma “comissão de notáveis” para estudar os problemas e gerar uma solução emergencial. “Reúnam-se a Academia Nacional de Engenharia, os clubes e institutos de Engenharia do Brasil, os Creas de todos os estados da federação, sob coordenação geral do Confea, para, em prazo emergencial pré-estabelecido apresentar alternativas que visem preservar a Engenharia brasileira, setor fundamental ao desenvolvimento científico e tecnológico, ao progresso, à infraestrutura e à subsistência do País.”

Fonte: Com informações do Crea-RS