A concessão de infraestrutura de transporte no Brasil, abordando principalmente os modos ferroviário e rodoviário, os danos provocados pelo excesso de peso nas rodovias e a capacitação dos órgãos executivos de transporte no País foram assuntos debatidos durante a primeira reunião do Comitê Permanente de Logística, realizada no dia 24 de julho. Coordenado pelo Acadêmico Maurício Renato Pina Moreira, o comitê vai tratar de uma área de importância estratégica para a economia do País. Fazem parte do grupo o Presidente Emérito da ANE, Paulo Vivacqua, os Acadêmicos Carmen Sirotsky, Cesar Cavalcanti e Sandra Stehling e o engenheiro Fernando Jordão, professor aposentado do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e ex-superintendente da Rede Ferroviária Federal (RFFSA).

Durante a reunião, os problemas da infraestrutura nacional foram pontuados pelos especialistas, assim como a preocupação com propostas que visam o fim da pesagem por eixo dos veículos nas rodovias. “Essa mudança é um equívoco e precisamos alertar sobre o risco que ela representa”, afirmou Maurício Renato Pina Moreira, ressaltando ainda que às vezes uma rodovia é construída para ter uma vida útil de 10 anos e com dois já está destruída devido ao excesso de peso. “Tendem a dizer que é um erro no planejamento, na execução, o que pode até ocorrer, mas a falta de fiscalização de pesagem contribui e muito para que isso ocorra”, disse.

Apesar de ser o principal modo de transporte utilizado no Brasil, as rodovias padecem de grandes deficiências e o país ainda tem poucas estradas. “Dois exemplos podem ser citados: Pernambuco tem uma área territorial cerca de 6,6% maior do que Portugal, porém aquele País tem uma extensão de rodovias pavimentadas cerca de 2,6 vezes maior. Minas Gerais, que tem uma área territorial de 586,5 mil quilômetros quadrados e é um estado bem servido de rodovias, tem 25 mil km de rodovias pavimentadas. A França, que tem uma área territorial de 544,0 mil quilômetros quadrados, possui 900 mil km de rodovias pavimentadas. Os números mostram o nosso atraso, que precisa ser superado”, afirmou.

A falta de ferrovias no país também foi mencionada e deverá receber atenção dos comitês. “Um país continental como o Brasil praticamente não ter ferrovias é outro grande problema. E o pior, hoje temos menos ferrovias do que tínhamos há 100 anos”, lamentou o coordenador do Comitê.

Já o especialista Fernando Jordão, que hoje atua como consultor, destacou outro problema: a falta de capacitação dos profissionais dos órgãos executivos de transporte. “Há um despreparo muito grande de quem fiscaliza, de quem supervisiona e isso é algo que preocupa. Dada a grande necessidade do país, temos que estar atentos para ver como a Engenharia vai responder aos desafios. Temos hoje profissionais mal preparados, mal remunerados e desmotivados”, lamentou.

A Acadêmica Sandra Stehling lembrou que a falta de desenvolvimento da cabotagem é outro problema que o país deve encarar para ter uma logística eficiente, capaz de aumentar a competitividade nacional. “Acho que esse é um assunto sobre o qual devemos trabalhar já que o país tem uma grande extensão costeira”, disse a Acadêmica.

Para o Presidente Francis Bogossian, o Brasil precisa retomar o Plano Rodoviário Nacional e criar uma comissão rodoferroviária para debater a questão e avançar no assunto.
O trabalho do grupo será grande já que são diversos os problemas de infraestrutura que o país enfrenta. Nas próximas reuniões, o grupo deverá definir o primeiro tema a ser trabalhado para que possa gerar um posicionamento do comitê. “Considero muito satisfatória a nossa primeira reunião. Nas próximas, vamos aprofundar mais os assuntos”, disse o coordenador Maurício Renato Pina Moreira.