O Engenheiro Bernardino é o novo presidente do CBDB
Acadêmico Alberto Sayão é o vice-presidente da entidade

O Comitê Brasileiro de Barragens (CBDB), representante da Comissão Internacional de Grandes Barragens (ICOLD) no Brasil, tem uma nova diretoria para o triênio 2020/2023. O novo presidente da entidade é o engenheiro José Bernardino Botelho, que terá ao seu lado, como vice-presidente, o professor Alberto de Sampaio Ferraz Jardim Sayão, Acadêmico da ANE. Também fazem parte da nova diretoria os engenheiros Leonardo de Oliveira Guerra Deotti, diretor Secretário, Ricardo Aguiar Magalhães, diretor Técnico, e Diego Antônio Fonseca Balbi, diretor de Comunicação.

O presidente do CBDB afirmou que assumiu o cargo num ambiente de desaquecimento da economia no Brasil, devido à pandemia que assola o território nacional assim como em diversos países filiados à Comissão Internacional de Grandes Barragens, o que leva à grandes dificuldades para o desenvolvimento de suas atividades dentro e fora do País. Mas enfatizou que a diretoria então constituída, elaborou um Plano de Trabalho a ser cumprido nos próximos três anos e que, apesar das dificuldades e desafios, estarão a frente com a certeza na obtenção de sucessos.

Vice-presidente, Alberto Sayão afirmou que a engenharia de barragens no Brasil tem prestado grande trabalho ao País, mas que atualmente enfrenta desafios que terão de ser transpostos. “Ela sempre foi muito bem conceituada, mas recentemente, devido aos acidentes que ocorreram, passou a ser alvo de críticas em sua maioria injustas pontuou o vice-presidente.
Sayão disse ainda que um dos desafios da nova diretoria é tentar reaproximar, apesar do distanciamento, o sócio do Comitê. “No ano que vem, o Comitê fará 60 anos e será programada uma comemoração técnica importante para reaproximar o sócio e para mostrar à sociedade as vantagens das barragens para o desenvolvimento do Brasil.

Vice-presidente da ANE, o professor Flavio Miguez de Mello é Presidente Honorário do CBDB e acredita que a nova diretoria irá manter a diretriz dos excelentes serviços prestados à Nação pelo desenvolvimento da engenharia baseada em ações e análises socioambientais, na prática de segurança operacional de barragens e reservatórios, no progresso da legislação e no desenvolvimento sustentável do País. “A nova gestão traz excelente mescla de destacados engenheiros de projeto, prestigiados professores, líderes empresariais de empresas de engenharia, renomados consultores e experientes executivos de concessionárias e de empresas estatais”, afirmou.

CBDB – Mais de meio século de história
Pelo Acadêmico Flavio Miguez de Mello

O Comitê Brasileiro de Barragens foi fundado em 1961, época em que o País experimentava crescentes atividades na implantação de barragens principalmente destinadas ao combate às secas, no Nordeste, e à produção de energia elétrica no Sudeste. No Nordeste impressionava o grande número de açudes que estavam sendo implantados naquela época. No Sudeste o País estava sentindo, nos anos sessenta, as drásticas consequências geradas pelo Código de Águas e pela eliminação da Cláusula Ouro executadas na primeira metade dos anos 30, que eliminaram qualquer incentivo para a instalação de novas usinas geradoras, novos sistemas de transmissão e de distribuição. A crise no suprimento de energia elétrica deteve o progresso nacional por décadas.

Foi nessa época que o Comitê iniciou suas atividades na difusão de tecnologias aplicadas a projeto, construção e operação de barragens e reservatórios, após longos anos de quase inatividade na engenharia nacional de barragens no Sul e Sudeste do Brasil. E foi nesta época que grandes empreendimentos começaram a ser projetados e implantados sem que tivéssemos recursos humanos de qualidade em número suficiente.

A atuação do Comitê foi fundamental para a evolução da engenharia nacional que foi necessária para a implantação de empreendimentos que impactavam os mais destacados técnicos estrangeiros que mantinham contato com nossas arrojadas barragens e hidroelétricas que se situavam na vanguarda da tecnologia da época. Dentre esses grandes empreendimentos destacam-se as hidroelétricas de Paulo Afonso, Furnas, Três Marias e Jupiá, obras hidráulicas em rios de muito grandes vazões, casas de força de impressionantes capacidades instaladas, descarregadores de cheias de rara grandeza, ensecadeiras e barragens de enrocamento terra e estruturas de concreto de grandes dimensões, equipamentos elétricos e mecânicos de tecnologia de vanguarda.

Durante as décadas seguintes o Comitê formou uma engenharia de barragens entre as mais destacadas e respeitadas do planeta. Muitos outros empreendimentos de ponta se seguiram até os dias de hoje.

Além dos temas diretamente conectados à projeto e construção, já a partir dos anos sessenta o Comitê passou a atuar na área de segurança de barragens e de outras estruturas hidráulicas. A atual legislação sobre segurança de barragens nasceu de uma iniciativa do Comitê em 1977, após o colapso das hidroelétricas de Euclides da Cunha e Limoeiro, no rio Pardo, em São Paulo.

Na primeira metade dos anos setenta passou também a povoar com intensidade os eventos do Comitê as questões socioambientais. O Comitê tem sido, portanto, sempre atento às principais questões envolvendo barragens e reservatórios. A partir dos anos oitenta o Comitê realizou diversos eventos relativos à importância dos benefícios de reservatórios na regularização de cursos d’água que possibilitam o aproveitamento racional e econômico de preciosos recursos hídricos naturais. Desde os anos noventa outra atividade se uniu às pregressas: O controle de cheias que havia sido drasticamente atingido pelo fechamento do DNOS e as barragens de disposição de rejeitos de mineração e de resíduos industriais que passou a ganhar extrema importância econômica desde a metade do século passado.

Em anos recentes, além da manutenção de todos temas tradicionais e importantes para a Profissão, enfoque também foi dado à necessidade de maximizar os impactos positivos de reservatórios pelo aproveitamento otimizado de recursos hídricos para usos múltiplos, e para a legislação nacional que é alterada com intensa velocidade e carência de lógica.

Portanto, os diversos documentos editados pelo Comitê, seus prestigiados livros técnicos publicados e o expressivo número de trabalhos de elevado nível divulgados em anais de congressos, simpósios, seminários e workshops, são testemunhos dos benefícios trazidos pelo Comitê para o desenvolvimento da engenharia nacional nesses quase sessenta anos de relevantes atividades.