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Por Andréa Antunes 16 de Março de 2026

 

Estudo da ANE expõe impacto do excesso de peso nas rodovias e recomenda retomada urgente da fiscalização

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A Academia Nacional de Engenharia (ANE), por meio de seu Comitê de Logística, divulgou um estudo que analisa os efeitos do excesso de peso em veículos de carga sobre a infraestrutura rodoviária brasileira. Conduzido pelo engenheiro Maurício Pina, o trabalho “A Influência do Excesso de Peso dos Veículos nas Rodovias Brasileiras” reúne dados técnicos, análises de campo e referências internacionais para demonstrar como a ausência de fiscalização tem contribuído para a deterioração acelerada dos pavimentos e para o aumento dos acidentes nas estradas.

O estudo resgata a evolução da legislação brasileira sobre limites de carga, vigente desde 1961, e destaca que a pesagem sistemática de eixos deixou de ser realizada de forma contínua há mais de duas décadas. A desativação dos postos de pesagem, ocorrida em 1998, abriu espaço para a circulação de veículos com sobrecarga muito acima dos limites legais, sem controle efetivo.

Segundo Pina, os efeitos dessa lacuna são amplos e afetam diretamente a sociedade. “A ausência de fiscalização permitiu que o excesso de peso se tornasse prática recorrente. Isso acelera o desgaste das rodovias, eleva os custos logísticos e aumenta o risco de acidentes”, afirma o engenheiro.

A análise mostra que os danos ao pavimento dependem principalmente da carga aplicada em cada eixo, e não apenas do peso bruto total do veículo. Metodologias internacionais, como as da AASHTO e do USACE, indicam que pequenas variações na distribuição da carga podem multiplicar os danos em até cinco vezes. O estudo também aponta que a ampliação da tolerância legal para excesso de peso por eixo, aprovada em 2021, reduz significativamente a vida útil dos pavimentos.

Uma pesquisa de campo realizada na rodovia PE‑090, em Pernambuco, reforça a gravidade da situação. Em 2.226 veículos pesados analisados, foram registrados eixos com até três vezes o limite permitido. Com base nesses dados, o estudo conclui que um pavimento projetado para durar 10 anos pode ter sua vida útil reduzida para menos de 3 anos.

Além dos impactos estruturais, o excesso de peso compromete sistemas de frenagem e amortecimento, ampliando o risco de acidentes graves. “Trata-se de uma questão de segurança pública e de responsabilidade econômica. Sem controle, o país continuará arcando com custos elevados e evitáveis”, destaca Pina.

Diante desse cenário, o estudo apresenta quatro recomendações principais:

  • retomada da pesagem sistemática de eixos;
  • implantação de tecnologias modernas, como sistemas de Pesagem em Movimento (WIM);
  • fiscalização baseada no peso por eixo, e não apenas no peso bruto total;
  • revisão da tolerância atual de 12,5%.

A ANE reforça que enfrentar o excesso de peso é fundamental para preservar a infraestrutura rodoviária, reduzir custos logísticos e aumentar a segurança nas estradas brasileiras. O estudo integra os esforços da instituição para contribuir com políticas públicas baseadas em evidências e com o aprimoramento da engenharia nacional.