Membro Fundador

Posse: 199

Cadeira: 191

Patrono: Ricardo Franco de Almeida Serra

O paulistano Waldimir Pirró Longo é oficial do Exército pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), engenheiro industrial e metalúrgico pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), onde iniciou a carreira como professor. Fez mestrado e doutorado em Engenharia e Ciência dos Materiais e Metalurgia pela University of Florida (EUA).

De volta do Brasil, cursou a Escola de Comando e Estado Maior do Exército ( ECEME ) e foi servir no Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Exército (IPD). Passou para a reserva e iniciou nova  carreira acadêmica como professor visitante da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde anos depois, via concurso, passou a professor titular. Na Universidade exerceu ainda o cargo de pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação.

Exerceu vários cargos públicos entre os quais: diretor interino do Observatório Nacional, assessor especial do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI), diretor interino do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), Secretário Executivo do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PADCT), Subsecretário de Tecnologia do Estado  do Rio de Janeiro, presidente da Empresa Fluminense de Tecnologia (FLUTEC) e vice-presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).

Ao fazer um balanço de sua carreira, o engenheiro lembra que a sua atuação nas áreas de Política e Gestão em Ciência e Tecnologia representou uma grande mudança profissional. “Nesse período, as funções que exerci levaram-me para longe dos laboratórios como pesquisador. Participei da estruturação do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia”, lembra o engenheiro, que acredita que o setor ainda está em fase inicial de amadurecimento. “O sistema, estruturado a partir da Segunda Guerra Mundial, está sendo aperfeiçoado”, diz o professor Longo, que lamenta o fato de sermos ainda, até certo ponto, usuários competentes dos conhecimentos científicos e tecnológicos gerados pelos países mais desenvolvidos. “Hoje, cerca de 15 países produzem a grande maioria das inovações que utilizamos. De um simples telefone celular a um computador, tudo é concebido no exterior. A maioria dos fármacos que utilizamos no Brasil para produzir medicamentos, são importados. A nossa dependência tecnológica é enorme e a superação dessa vulnerabilidade estratégica depende fundamentalmente de decisões políticas e da capacidade da nossa engenharia”, afirma.

De acordo com o engenheiro, o desenvolvimento científico e tecnológico não é prioridade nacional. “Não temos, por exemplo, uma política industrial que, inequivocamente, aponte para setores estratégicos nos quais o País não abriria mão do domínio tecnológico e produtivo. Sem definição política fica difícil concentrar os recursos e casar o esforço em C&T com o investimento produtivo nativo. O que assistimos é uma paulatina desnacionalização associada a uma desindustrialização dos setores mais dinâmicos, aqueles de maior agregação de valores intangíveis (conhecimentos) aos produtos.”

O Acadêmico Longo participou de dezenas de missões oficiais no exterior, tem mais de 100 artigos publicados no País e no exterior e recebeu diversas honrarias ao longo de sua carreira, entre elas: a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico (2007), a Medalha do Mérito Militar (2002) e a Medalha Marechal Hermes do Exército Brasileiro (1959). Professor Emérito da UFF, o engenheiro dá aulas no Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade, e realiza palestras e consultorias nas áreas de Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação.