Posse: 1993

Cadeira: 143

Patrono: Lucas Lopes

 

Nasceu em Curitiba no dia 21 de janeiro de 1932. Formou-se em engenharia civil pela Universidade do Paraná, em 1954. Dois anos depois, trabalhando na Copel, integrou-se ao Grupo Especial de Energia Elétrica, vinculado ao Plano Estadual de Desenvolvimento Econômico. Em maio de 1958, assumiu a chefia da Divisão de Estudos Contratados, e em 1960 estagiou em empresas de eletricidade na França. De volta ao Brasil, em março de 1961, assumiu o departamento de Engenharia da Copel, passando a superintendente-técnico em outubro. Em dezembro, foi nomeado pelo governador Nei Braga (1961-1964) diretor do Departamento de Águas e Energia Elétrica. Na condição de diretor-administrativo da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Paraná, representou o estado a partir de maio de 1962 no conselho consultivo e coordenador das Centrais Elétricas de Urubupungá. No mesmo ano, foi eleito diretor-técnico da Copel para o triênio de 1962 a 1965.

Foi assessor do ministro do Planejamento e Coordenação Econômica, Roberto Campos até 1966, e reeleito diretor-técnico da Copel para o triênio de 1966 a 1969, dirigiu as Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás) de 1967 a 1971, quando se tornou secretário de Fazenda do Paraná, no governo de Parigot de Sousa (1971-1973). Mantido à frente da pasta durante o governo de Emílio Gomes (1973-1975), em 1974 assumiu a presidência do Banco Nacional da Habitação (BNH), em substituição a Rubem Vaz da Costa, permanecendo no cargo do início ao fim do governo do presidente Ernesto Geisel.

Em janeiro de 1979, teve seu nome indicado para a presidência da Eletrobrás pelo futuro ministro das Minas e Energia, César Cals, já escolhido pelo general João Batista Figueiredo, presidente da República eleito pelo Congresso e empossado em março. Deixando o BNH, onde foi substituído por José Lopes de Oliveira, assumiu o novo cargo, sucedendo a Arnaldo Barbalho.

À frente da Eletrobrás, promoveu de imediato a revisão do programa de investimentos de curto prazo da empresa, tendo em conta as medidas de ajustamento econômico adotadas pelo governo federal em decorrência do segundo choque do petróleo. Preocupou-se também com a revisão do planejamento de longo prazo do setor de energia elétrica, coordenando a elaboração do relatório conhecido como Plano 95. Divulgado em setembro de 1979, o plano recomendou extenso programa de obras e de estudos para o atendimento do mercado de energia elétrica dos sistemas elétricos interligados e isolados do país no horizonte de 15 anos. Na mesma altura, a Eletrobrás e as maiores empresas do setor firmaram convênio para a implantação do Sistema Nacional de Supervisão e Coordenação da Operação Interligada (Sinsc), com o objetivo de viabilizar a supervisão em tempo real da operação dos sistemas interligados.

Durante sua permanência na Eletrobrás, teve crescentes dificuldades de relacionamento com o ministro César Cals. Um dos pontos de divergência dizia respeito à ambiciosa política de expansão do parque termelétrico a carvão, traçada pelo ministério, com o objetivo de acelerar a substituição do petróleo por outras fontes de energia. Schulman também se manifestou contrário à política de contenção tarifária e aos novos cortes de investimentos das empresas de energia elétrica anunciados pelo governo federal após a demissão do ministro da Fazenda, Carlos Rischbieter, em janeiro de 1980. Suas relações com César Cals ficaram definitivamente comprometidas quando o ministro determinou a exoneração de dois diretores da Eletrobrás, após a divulgação de um relatório da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) que acusava jornalistas, cientistas e técnicos da área governamental como inimigos do programa nuclear brasileiro.

Em outubro de 1980, Maurício Schulman assumiu o cargo de diretor-coordenador de quatro empresas da área de crédito imobiliário do grupo Bamerindus, passando a responder pela diretoria financeira do banco em 1982. No início dos anos 1980, ocupou ainda a vice-presidência da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP).

Em 1990, integrou o conselho de administração do Bamerindus, então um dos maiores bancos privados do país, assumindo em seguida a sua presidência. Eleito em outubro de 1991 para a diretoria-executiva da Federação Brasileira de Associação de Bancos (Febraban) e da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), das quais já era conselheiro desde março do ano anterior, em abril de 1993 tornou-se o primeiro presidente do conselho de administração da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) após a sua privatização, cargo que deixou em outubro de 1995, substituído pelo empresário Benjamim Steinbruch, representante do grupo Vicunha.