Posse: 1994

Cadeira: 185

Patrono: Pedro Cordeiro de Mello

Esposa, mãe, engenheira, pesquisadora e artista. Estes são alguns dos papéis que a Acadêmica Djenane Cordeiro Pamplona desempenha no seu dia a dia. Somada a estas funções está ainda a atuação como ativista na busca pela igualdade de gênero no Brasil. Para essa mulher de várias faces, que representa tão bem a mulher do século XXI, o dia parece curto para dar conta de tantas tarefas.

Filha de militar, a Acadêmica Djenane Pamplona sempre buscou a independência e viu na Engenharia a possibilidade de garantir esse objetivo. “Escolhi a carreira porque gostava das ciências exatas e, além disso, era uma profissão que possibilitava uma estabilidade financeira”, conta a Engenheira Civil, que teve que lidar com o preconceito para vencer em uma carreira, até então, masculina.

“Há uma grande discriminação em relação à mulher. Para ter o seu valor reconhecido ela precisa trabalhar em dobro. Lembro que quando fui fazer doutorado nos EUA, o orientador não me deixou cursar quatro disciplinas porque eu tinha dois filhos. Achou que eu não ia dar conta. Outro problema era o banheiro; não havia banheiro para mulheres”, recorda a engenheira, que superou as dificuldades e tornou-se referência na área de Biomecânica no País.

O currículo da especialista é vasto: pós-graduada e mestre em Engenharia Civil, doutora em Análise Numérica e pós-doutora pela Universidade de Cambridge, Reino Unido (Stuttgart, 2007). A Acadêmica Djenane Pamplona é professora (aposentada) da PUC-RIO e chefe do laboratório de Biomecânica da Instituição. A Biomecânica a especialista descobriu durante o doutorado e a partir daí dedicou-se a esta área, sempre com o foco de buscar meios para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Desenvolveu projetos com o cirurgião plástico Ivo Pitanguy, como a modelagem matemática, e ferramentas para facilitar a vida das pessoas.

Para a pesquisadora, o investimento em pesquisa significa economia para o país. “Se desenvolvêssemos boas pesquisas, o Brasil economizaria em divisas. Nosso povo é criativo e, com pouco dinheiro e muita engenhosidade, encontraria soluções para vários problemas. Mas falta investimento no setor”, lamenta a professora, que após uma passagem pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe), no Chile, voltou o olhar também para as questões sociais. “Nessa época, conheci o Brasil. Estudei a Sudam, a Sudene, ferrovias e essa passagem me abriu a cabeça para esses problemas”, conta a engenheira, que organizou encontros para debater questões de gênero no Brasil.

Em alguns momentos, a engenheira e pesquisadora cede espaço para a artista. Desde 1980, a Acadêmica Djenane Pamplona mantém a arte como um contraponto à atividade da Engenharia. A pesquisadora expressa sua arte em poesias, pinturas, fotografias e gravuras. A artista já teve seus trabalhos em exposição no Rio de Janeiro, Brasil, em Miami, EUA, em Lisboa, Portugal, e em Paris, França. “A arte me salva da engenharia”, brinca a Acadêmica, que não hesita ao apontar a realização que lhe dá mais orgulho: “Meus três filhos. São as coisas mais importantes que tenho”.