Submarino nuclear: uma arma para defesa e para o desenvolvimento do Brasil

Projeto estimula a ciência e pode alavancar crescimento da indústria nacional

 

submarino-18-10-2016
Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha prevê a transferência de tecnologia

O submarino nuclear brasileiro (SN-BR), de acordo com o planejamento, deve estar pronto até 2025 e iniciar sua atividade em 2027. O projeto,  além de melhorar a defesa do Brasil, já que aumentará a capacidade da Marinha para patrulhar o território submerso da costa brasileira, representa também um alto investimento na ciência e na economia do país. A perspectiva é que o desenvolvimento da alta tecnologia, exigida para o submarino,  seja utilizada em outros setores gerando novas oportunidades de crescimento, além de fomentar a indústria nacional. Afinal, a vocação agrícola brasileira e o sucesso do agronegócios não podem ser usados como impeditivos para o desenvolvimento industrial. “Somos grandes importadores de combustível e lubrificantes. Nesses setores, importamos cerca de R$ 15 bilhões. Em produtos químicos e farmacêuticos, o valor é ainda um pouco maior, cerca de R$ 18 bilhões. Toda a soja que produzimos não dá esse valor. O que exportamos? Nossos sete maiores itens são da agricultura e da mineração. Mesmo na agricultura, exportamos o grão de soja e não o produto industrializado”, lembra o Contra-Almirante (RM1-EM) Alan Paes Leme Arthou, que atuou na coordenação do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear da Marinha e vê o investimento na industrialização como estratégico devido ao seu papel econômico e social.

O submarino nuclear brasileiro terá peças importadas, mas a tecnologia nuclear será toda desenvolvida no Brasil, que hoje faz parte do seleto grupo – que inclui ainda os Estados Unidos, França, Holanda, China, Rússia, Inglaterra e Alemanha – que domina a tecnologia para o enriquecimento do urânio por ultracentrifugação, principal etapa industrial do ciclo de produção do combustível nuclear. No caso do submarino brasileiro, a tecnologia nuclear utilizada foi toda desenvolvida aqui.

Um desejo desde os anos 70, a construção do submarino nuclear ganhou maior importância com a ênfase nas riquezas da Amazônia Azul – uma área de 4,4 milhões de quilômetros quadrados submersa na costa brasileira. Fonte de 90% do petróleo brasileiro e rota de 95% do comércio exterior, a região exige um patrulhamento constante.

Um dos pontos altos do Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha é a transferência de tecnologia, prevista no acordo firmado entre a França e o Brasil, que permitirá que o País alcance o nível tecnológico necessário para dominar a construção de submarinos convencionais, com a consequente evolução natural para o desenvolvimento de um submarino com propulsão nuclear.

 O PROJETO

A primeira etapa do projeto, denominada de Fase A (Concepção e Exequibilidade), teve início no Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) em julho de 2012 e foi encerrada em julho de 2013. A atual fase, correspondente a Fase B (Projeto Básico), teve início em agosto de 2013. A conclusão dessa Fase permitirá a elaboração dos contratos definitivos de aquisição dos Pacotes de Materiais e Construção. Permitirá também que se chegue ao custo global para obtenção do submarino nuclear e propiciará o desenvolvimento da Fase C (Projeto de Detalhamento). Após, será iniciada a Fase D (construção), que terá continuidade ao longo de todo o período da construção deste meio naval. A construção do SN-BR deve começar em 2017 e ser concluída em 2025. A transferência para o Setor Operativo da Marinha do Brasil está prevista para ocorrer em 2027.

Um mar de novas possiblidades para o crescimento industrial