Seminário reúne especialistas em engenharia de túneis

Palestrantes abordaram do Segundo Império aos tempos atuais

 

Semin Tuneis 2 incio Tarcisio
Tarcísio Celestino apresentando sua palestra sobre a história dos túneis no Brasil

Foi realizado no dia 4 de julho o seminário “Engenharia de Túneis no Brasil”, promovido pela ANE e pela ABMS, com coordenação do acadêmico Professor Alberto Sayão, na PUC-Rio. O evento despertou interesse de profissionais da engenharia e de estudantes de programas de pós-graduação de universidades do Rio de Janeiro. O seminário foi aberto pelo engenheiro Tarcísio Celestino que relatou a história da implantação de túneis no Brasil, enfatizando inicialmente a construção de arrojadas obras executadas no Segundo Império, várias delas acompanhadas pelo Imperador Dom Pedro II. O relato das dificuldades para a execução de obras naquela época, antes dos atuais equipamentos pesados de construção e do advento da dinamite, impressionou a plateia. Nesse bloco foram realçados os valiosos relatos do acadêmico professor Pedro Carlos da Silva Telles.

Na sua apresentação, Tarcísio Celestino destacou várias obras subterrâneas com seus principais avanços na tecnologia de projeto e construção, como na instalação das casas de força das hidroelétricas de Paulo Afonso, em especial a de Paulo Afonso IV em que projetistas nacionais otimizaram propostas técnicas estrangeiras de dimensionamento da caverna, de seus suportes e da execução das vigas da ponte rolante, o que acarretou grandes reduções de custo e tempo de construção.

Celestino apresentou várias obras recentes e seus impactos ao meio ambiente e a funcionalidade de rodovias que teriam melhores soluções técnicas e ambientais se tivessem sido feitas em túneis. Celestino mencionou estudos de projeção para os próximos anos de empreendimentos com uso do espaço subterrâneo que terão na China, na Índia e nos Estados Unidos as maiores aplicações. Lamentou certa desaceleração no Brasil em função da situação no país classificada como “péssima por falta de política adequada há décadas”.

Em seguida, a professora Ana Laura Nunes apresentou três casos de obra, dois túneis recentes e uma reabilitação de túnel ferroviário antigo. No relato sobre o túnel do Porto Sudeste para transporte de minério para exportação, Ana Laura contou o interessante projeto feito em curto prazo apoiado por poucas prospecções, tendo considerado duas alternativas: uma com dois túneis sendo um deles para ser implantado num segundo futuro estágio e outra com apenas um túnel de dimensões maiores a ser executado de início. A última foi a selecionada para implantação.

A engenharia do túnel Gasduc III e as alternativas técnicas para sua recuperação, em que foram enfatizados os efeitos da contínua deterioração das rochas no interior do túnel que se encontra em operação, também foram mencionadas pela engenheira, que encerrou sua palestra com a apresentação de um interessante trabalho sobre o antigo túnel ferroviário Túnel 7 – Rumo Log, definido como “túnel órfão” por não ter disponível dados originais de seu projeto e de sua execução, dificultando sobremaneira as pesquisas realizadas. Um dos emboques apresenta deslocamentos que afetam o tráfego de novas locomotivas. Ana Laura apresentou o relato das investigações que indicaram movimento da encosta natural, provavelmente por creep iniciado há tempos. Foram apresentadas soluções alternativas para a reabilitação do tráfego ferroviário.

O engenheiro Guilherme Jacques de Moraes discorreu sobre modernos processos de monitoramento de túneis, aplicados tanto durante a construção como durante a utilização. Foram relatados diversos monitoramentos executados em túneis recentes e suas consequências positivas na segurança de execução, em informações para o projeto e em medições dos serviços de escavação. Em dois casos, as obras foram entregues com dois meses de antecedência, fato raro em obras nacionais.

Na avaliação do Seminário, o acadêmico professor Flavio Miguez de Mello adicionou breves relatos sobre acidentes em túneis hidráulicos, tendo descrito os acidentes ocorridos nos túneis de desvio das barragens de Furnas e de Campos Novos e as soluções encontradas para o fechamento desses dois reservatórios. Miguez comentou as três apresentações feitas pelos que o antecederam, realçou o elevado interesse das discussões que envolveram profissionais de larga experiência como o professor Sandro Sandroni e o engenheiro Geraldo Magela Pereira, além de estudantes de graduação e de pós graduação.