Seminário apresenta a complexidade da Usina Hidrelétrica de Belo Monte

Os desafios da construção e da execução do projeto foram debatidos por engenheiros e especialistas

 

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O Acadêmico José Eduardo Moreira apresentou o projeto do Sítio Pimental

A complexidade da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, assim como seu impacto socioambiental, foi debatida no dia 18 de abril, na PUC-Rio, durante o seminário “Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu”. No encontro, engenheiros que participaram do empreendimento relembraram os desafios da construção, as inovações da obra  e mostraram aos estudantes aspectos fundamentais na elaboração de projetos.

Ao abrir o evento, o diretor do Comitê Brasileiro de Barragens Luciano Nobre Varella abordou a importância da obra e a realização do seminário. Em seguida, Oscar Machado Bandeira, representante da Norte Energia, apresentou o empreendimento mostrando detalhes da construção que tem capacidade instalada de 11.233,1 Megawatts (MW), carga suficiente para atender 60 milhões de pessoas em 17 Estados. “Hoje, Belo Monte já tem uma potência instalada de 3.288 MW o que representa 29% da potência total”, informou.

A política nacional de segurança de barragens e as medidas adotadas na manutenção de Belo Monte foram lembradas pelo engenheiro que citou também os impactos gerados pela construção da usina na região. “Essa foi uma obra difícil porque era extremamente geotécnica, tínhamos poucos meses para trabalharmos durante o ano devido à hidrologia do Xingu, além disso também era necessário atender às condicionantes ambientais”, explicou Oscar Bandeira, que ao encerrar sua exposição destacou o papel do governo. “Foi difícil construir, mas muito mais difícil é o poder público assumir a responsabilidade”, finalizou.

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Acadêmicos participaram do evento

Em seguida, o engenheiro Marco Tulio, do Consórcio Construtor Belo Monte, apresentou o planejamento e a logística da obra. As dificuldades geradas pelas invasões e bloqueios também foram citadas. “Foram 52 invasões e bloqueios. Tivemos 140 dias de paralisação, mas conseguimos cumprir a meta”, lembrou Marco Tulio.

A vila montada para os operários, com estrutura para descanso, lazer, educação e saúde, foi mencionada durante a exposição de Marco Tulio, que destacou como aspectos positivos do empreendimento a criação de empregos e a qualificação da mão de obra.

O engenheiro Lourenço Baba, da Intertechne, apresentou o projeto do Canal de Derivação. Ele traçou as principais características e dados técnicos do canal, explicou os motivos da adoção do entrocamento sobre rocha e destacou o canal com uma das grandes obras da engenharia brasileira. “Da barragem de Pimental até a geração principal são mais de 60 km. Essa é uma obra espalhada e difícil de planejar. Tivemos que começar do zero, pesquisando e consultando universidades de fora do Brasil. Um canal de 20 km, 200 metros de base, transportando quase 14.000 m3/s é impressionante. Essa é uma obra que vamos divulgar pelo mundo, uma vez que o canal de derivação é uma grande inovação.”

A palestra do Acadêmico José Eduardo Moreira foi uma aula para os estudantes de engenharia. Em sua apresentação, o Acadêmico explicou como se processa um leilão de concessão de usina hidrelétrica, o que é um projeto de engenharia e a importância da identificação correta do problema. “Antes de começar o projeto é preciso investigar o problema. Um projeto de engenharia não se limita apenas à análise, mas também à identificação da dificuldade”, destacou, frisando que o objetivo de todo o projeto de engenharia é otimizar o empreendimento. Em sua palestra, o Acadêmico José Eduardo Moreira mostrou ainda detalhes do projeto do Sítio Pimental e os motivos da mudança realizada no projeto original. “Antes, o projeto pegava três áreas indígenas, com as alterações não atingiu nenhuma. A redução da potência se justificou para viabilizar o projeto”, afirmou.

Após as palestras foi aberto o debate e o evento foi encerrado com as considerações finais do Acadêmico Flavio Miguez de Mello. Além de destacar os benefícios ao meio ambiente, o Acadêmico salientou que os atrasos na obra – ocorridos devido a opositores do empreendimento, e a ausência da regularização, que seria propiciada pela usina de Babaquara -, custaram ao País nos anos recentes cerca de R$ 43,7 bilhões de reais.

Estiveram presentes os Acadêmicos Acher Mossé, Eduardo Serra, Nelson Martins, Reinaldo Castro, Walter Arno Mannheimer, Willy Lacerda.Coordenado pelo Acadêmico Alberto Sayão, o seminário teve apoio da ANE, da ABMS Rio, do CBDB, da Huesker e da Maccaferri e reuniu especialistas, professores e estudantes de engenharia.