“Recursos naturais devem ser usados em benefício do povo”

Afirmação foi feita pelo Acadêmico Paulo Augusto Vivacqua durante palestra na PUC-Rio

 

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Acadêmico Paulo Augusto Vivacqua destacou a importância do Brasil no cenário mundial

A importância dos recursos naturais como fonte estratégica para garantir a soberania e o desenvolvimento de uma nação foram abordados pelo Acadêmico Paulo Augusto Vivacqua, ex-presidente da ANE, em sua palestra “Educação, Soberania e Recursos Naturais em Sociedades Sustentáveis”, realizada no último dia 18, na PUC-Rio. Ao falar para acadêmicos e estudantes, o engenheiro destacou também a preocupação com as questões ambientais e a necessidade de formação de agentes de mudanças para transformar a realidade brasileira. “Soberania é a forma que um país tem para se defender das agressões externas de outra nação e levar avante uma agenda em benefício de seu povo”, disse, ressaltando que a independência é um requisito crucial para o desenvolvimento de um país.

Citando como exemplo, a China, Paulo Augusto Vivacqua mostrou de forma esclarecedora como as nações hegemônicas agem sobre as demais com o objetivo de exploração de mercado e de recursos naturais e mapeou a situação do Brasil neste cenário. O engenheiro demonstrou também preocupação com o Projeto de Lei 4059/12 que regula a aquisição de terras brasileiras por estrangeiros. “Essa medida significa despir uma parte da soberania brasileira. Não podemos aceitar”, afirmou, complementando que o Brasil é um país potencialmente rico e poderoso, mas precisa manter o controle sobre sua riqueza para crescer.

A ocupação do interior do país também foi citada pelo acadêmico como ponto importante para o crescimento. De acordo com ele, a migração para o interior é um aspecto que precisa ser estimulado pelo governo por meio de políticas de desenvolvimento. “Somos um país com dimensões continentais, onde a maior parte da população está no litoral. É preciso estabelecer políticas para o desenvolvimento do interior; planejar o crescimento de cidades de forma a preservar o meio ambiente e garantir condições de vida para a população; adotar ações que reduzam o uso de recursos e a degradação ambiental. Garantir o crescimento do interior, com a construção de ferrovias, com a oferta de transporte barato, geração de emprego e renda”, afirmou Paulo Augusto Vivacqua, defensor das empresas estatais na exploração de recursos naturais.

Ainda para o desenvolvimento do país, Paulo Augusto Vivacqua destacou que é preciso mudar a forma de pensar da nossa sociedade, fazendo com que os jovens se tornem agentes transformadores. “Eles devem ter orgulho de fazer parte de uma nação tão rica e não ter o sonho de deixar o país; é preciso mostrar aos jovens as grandes possibilidades que existem no Brasil. Oferecer uma formação multidisciplinar, ler e estudar história faz parte do processo, pois eles têm a missão de criar uma onda global de ativismo social para levar a união de governos e empresas em busca de soluções”, disse.

O combate à corrupção e a crise política que o país enfrenta também foram analisados pelo engenheiro que se mostrou otimista em relação ao futuro. Para ele, um novo Brasil vai surgir após este processo. “O país tem todas as condições para se desenvolver. Há muito a ser feito. Estamos acabando com essa cultura de corrupção e impunidade. O que é preciso agora é governar com racionalidade. Pode parecer utópico, mas temos que sonhar e procurar fazer com que nossas utopias se realizem.” A palestra pode ser assistida no canal da Academia Nacional de Engenharia.