O Projeto Carajás e sua estrada de ferro

 Inaugurada em 1985, a Estrada de Ferro Carajás, espinha dorsal do Projeto Carajás, é considerada uma das maiores obras da engenharia nacional e está entre as mais eficientes do mundo.

 

                                                                                 

No ano passado, a Estrada de Ferro Carajás (EFC) – que liga a Serra de Carajás (PA) ao Porto da Madeira (MA) – comemorou 30 anos de inauguração. Com 892 km de extensão, construída dentro do prazo e orçamento previstos, é considerada uma das maiores obras da engenharia nacional. Hoje transporta, além de minério de ferro, grãos, fertilizantes, combustíveis, celulose e passageiros.

A EFC faz parte do Projeto Carajás, juntamente com o porto de águas profundas de Ponta da Madeira, e a fabulosa província mineral de Carajás. Sua existência resultou da descoberta de minério de ferro em Carajás, em fins dos anos 60 pela empresa americana United States Steel (USS). Para a exploração de jazidas de tal vulto (as maiores do mundo na época) o Governo Brasileiro recomendou à USS que se associasse a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), respeitada empresa estatal detentora de 25% do mercado transoceânico de minério de ferro. Contudo, durante o desenvolvimento do projeto, a USS recuou diante do vultoso investimento e dos riscos associados à construção da longa ferrovia na região Amazônica, prosseguindo a CVRD sozinha no projeto.


A configuração final do projeto resultou de minuciosa comparação entre diversas alternativas de transporte interno e de opções portuárias em um grande arco do litoral do Maranhão e do Pará. Os estudos e projetos foram realizados pela “Vale & US Steel Engineering and Consultants” (VALUEC) que reunia os principais engenheiros de ambas as empresas. Demandaram cerca de dez anos e cem milhões de dólares, a valores da época, onde se destacam os pesados custos de pesquisa, levantamentos, projetos detalhados, suportados por uma verdadeira frota de helicópteros e aviões operando em uma vasta região da floresta Amazônica.


A ferrovia selecionada possui 73% de sua extensão em linha reta e 27% em curvas, onde circulam trens de comprimento superior a 3 km, carregados com mais de 40 mil toneladas de minério, trafegando a velocidades superiores a 60 km/h. Operando em ciclo contínuo entre mina e porto, onde os maiores navios existentes são carregados rapidamente. Esta ferrovia foi interligada com a Norte Sul e com a RFFSA.                                          

Presidente da ANE, o Acad. Paulo Augusto Vivacqua fala sobre o projeto Carajás