Comércio Exterior em debate na AEB

 

Presidente Emérito da ANE defende mudança da matriz de transportes para baixar custo das exportações e impulsionar o desenvolvimento do país

 

Foto: Andréa Antunes/ANE
Paulo Viviacqua afirmou que o aumento da participação do transporte por ferrovias e navegação iria tornar a economia mais eficiente e produtiva

“A guerra comercial entre os Estados Unidos a China” trará grandes prejuízos ao Brasil”. A afirmação do Presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, foi feita durante a abertura do debate “Comércio Exterior na Agenda Presidencial”, realizado pela AEB, no dia 26 de junho. Com o objetivo de discutir propostas para serem apresentadas aos presidenciais, o encontro reuniu especialistas de diferentes áreas para debater a questão. Participaram do debate o engenheiro Paulo Augusto Vivacqua, Presidente Emérito da Academia Nacional de Engenharia, Roni Pimentel, da Confederação Nacional do Comércio, de Bens, Serviços e Turismo (CNC), e Fernando Pimentel, Presidente da Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).  O Presidente da ANE, o engenheiro Francis Bogossian também compareceu ao evento.

“O momento é de pressionar os candidatos e suas equipes. É preciso mostrar a importância para o Brasil de reduzir o custo do Estado brasileiro, do contrário enfrentaremos muitas dificuldades. Se não tomarmos precauções, vamos perder competitividade até na área agrícola”, disse José Augusto Castro. Roni Pimentel adiantou que a CNI vai encaminhar propostas de facilitação do comércio aos presidenciais e em sua apresentação destacou aspectos que diminuem a competitividade brasileira. “Os atrasos aduaneiros aumentam cerca de 13% o custo da exportação”, lembrou, destacando ainda o excesso de cargas e taxas praticadas no Brasil, a burocracia, a imprevisibilidade e a insegurança jurídica, como aspectos que atrapalham o crescimento das exportações.

“Política Comercial, reforma tarifária e negociação internacionais – uma visão alternativa” foi o tema da palestra do Presidente da Abit, Fernando Pimentel. Ele lamentou o fato da agenda internacional não está no centro das discussões e afirmou que a abertura internacional é necessária e desejável. “A questão da competitividade nacional é extremamente relevante e nossa indústria vem se deteriorando. Não se consegue separar parte do orçamento para o investimento em pesquisa. Trabalhar na legalidade no Brasil, exige muito esforço”, disse, ressaltando que o peso sobre aquele que produz no país é quase insuportável.

O Presidente Emérito da ANE, Paulo Augusto Vivacqua, apresentou a palestra “Reformas estruturais e infraestrutura para viabilizar o futuro”. Vivacqua falou sobre a matriz atual do transporte de carga do Brasil e mostrou como uma mudança de modelo poderia contribuir significativamente para o crescimento e desenvolvimento do país. Para Paulo Vivacqua, o aumento da participação do transporte por ferrovias e navegação iria tornar a economia mais eficiente e produtiva e integrar o centro do país, escassamente ocupado, e rico em recursos naturais, com sua faixa costeira, onde concentra-se o grosso da população e da economia. “Com essa mudança de matriz, ao longo de 25 anos, teríamos forte crescimento no PIB, na criação de novos empregos, na arrecadação de impostos, nos investimento no interior. Além disso, haveria atração da população costeira para o interior, desconcentrando cidades, redução de acidentes rodoviários, do gasto de energia e também da emissão de gás carbônico”, explicou o engenheiro, ressaltando ainda que no Brasil o transporte rodoviário é usado em distâncias continentais, um contrassenso que acarreta um grande consumo de energia. E, como demonstrado pela recente greve dos caminhoneiros, se mantém graças a subsídios, e dura pressão de interesses particularizados.

Para comprovar a tese dos benefícios do transporte ferroviário, Paulo Vivacqua lembrou o desempenho alcançado com a Estrada de Ferro Carajás, que está entre as mais eficientes do mundo, e colocou no mercado mundial as jazidas de minério de ferro de Carajás, situadas no interior do país, e o Corredor Centro-Leste, que reduziu drasticamente o custo de transporte de grãos entre o planalto central e os portos do Espírito Santo.

Vivacqua destacou ainda o grande impulso de desenvolvimento que derivaria de uma navegação de cabotagem adequada, ao longo nossa costa atlântica, que abriga nossas principais cidades e cerca de 80% de nossa população e economia. Mas que, entretanto, é conectada principalmente por rodovias cobrindo extensões de milhares de quilômetros.

Para pressionar pela mudança de matriz de transporte, o acadêmico propôs a criação de um comitê de integração, composto por representantes do agronegócio, mineração, parlamentares, representantes do governo dos  estados centrais e litorâneos. “Esse modelo já foi usado na viabilização do Corredor Centro-Leste e mostrou-se eficiente”, afirmou.

Ele destacou também que o cuidado que este projeto com o ecossistema não pode ser esquecido e que essa mudança beneficiaria a todos os setores. “Recuperar esse atraso é uma grande oportunidade industrial para o Brasil que pode ser um amplo produtor de todos os tipos de material ferroviário e de navegação. Traçando e colocando um programa nessa direção, o país vai gerar industrialização de ponta. Teremos uma poderosa indústria sendo construída e construindo nosso crescimento.”

A palestra do Presidente Emérito Paulo Augusto Vivacqua pode ser conferida no canal da Academia Nacional de Engenharia.