Academia inaugura Comitê de Integração Continental

Novo grupo foi instituído oficialmente durante 11ª Reunião de Diretoria, que teve palestra via videoconferência

 

O Presidente Paulo Augusto Vivacqua lançou o Comitê de Integração Continental

O Comitê de Integração Continental foi inaugurado durante a 11ª Reunião de Diretoria da ANE, realizada no dia 9 de junho de 2016, na PUC-Rio. Para iniciar as atividades do recém-criado Comitê, o Presidente da Academia, Paulo Augusto Vivacqua, e o Acadêmico José Eduardo Moreira, membros do grupo de estudo, realizaram uma apresentação, transmitida via videoconferência, e assistida por membros de outros estados, como Cecília Zavaglia e Antonio Marcus Nogueira, além dos presentes ao encontro. Durante a reunião, o Acadêmico Francisco Andriolo também fez uma apresentação sobre “Os Grandes Desafios para a Engenharia Brasileira”.

No início da reunião, o Presidente Paulo Augusto Vivacqua falou sobre a importância da integração continental e oficializou a criação do novo comitê, que tem como integrantes, além do Presidente e do Acadêmico José Eduardo Moreira, a Acadêmica Sandra Stehling.

Em seguida, o Acadêmico José Eduardo Moreira apresentou o tema “Usinas do rio Madeira ” A binacional e aspectos da hidrovia”. Ao falar sobre a construção das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, ambas em Rondônia, o engenheiro ressaltou as premissas do projeto.  “Para a construção das duas usinas, três princípios foram fundamentais: geração de energia associada à navegação, integração regional e o mínimo impacto ambiental. Partimos desse ponto e, por isso, a opção de construir duas usinas que, embora sendo muito grandes, são menores do que seria uma usina única que aproveitasse todo o potencial do rio”, disse José Eduardo Moreira.

Segundo o Acadêmico, apesar de terem um custo maior, as usinas menores apresentavam vantagens como menor interferência nas estradas e cidades, a inundação de uma menor área e o fato de não afetar reservas indígenas. “Procuramos diminuir o impacto ambiental. Essas usinas mostram que é possível minimizar os impactos no meio ambiente com um projeto bem planejado.”

O engenheiro abordou ainda a questão da usina Binacional e lembrou que há um acordo entre o Brasil e a Bolívia para a construção da hidrelétrica e que já foi formado um Comitê Técnico para estudar as oportunidades de aproveitamento energético nos dois países.

O Acadêmico José Eduardo Moreira falou sobre as Usinas do Rio Madeira, a binacional e aspectos da hidrovia
O Acadêmico José Eduardo Moreira falou sobre as Usinas do Rio Madeira, a binacional e aspectos da hidrovia

O Acad. José Eduardo Moreira destacou ainda a importância de iniciar um projeto de desenvolvimento da região antes do início da construção de uma usina, assim como a qualificação da mão de obra local para que os moradores possam trabalhar na execução da obra, gerando emprego e renda para a região da usina.

O presidente Paulo Augusto Vivacqua encerrou a apresentação assinalando a relevância e os benefícios de uma rede hidroviária interligando o continente.

“A ferrovia Ferronorte foi projetada para chegar a Porto Velho. Se continuarmos esse projeto, com a Trans Andina, seguindo com a ferrovia até o Pacífico, cruzando os Andes em seu ponto mais baixo, levando-a ao encontro de um sistema fluvial, num porto de múltiplo uso, vamos gerar desenvolvimento. Esses grandes sistemas hidroviários são comuns e viáveis na Europa. A simples navegabilização desses sistemas, que apenas dependem de três eclusas – digo apenas porque se aferirmos o custo pela quilometragem veremos que é um custo pífio comparado como qualquer outro modelo -, vai gerar desenvolvimento imediato. Esse é um mega sistema de transporte a custo baixo por quilômetro”, afirmou o Presidente Paulo Augusto Vivacqua, adiantando que o Comitê de Integração Continental irá dialogar com as Academias de outras nações para discutir a questão.

Acadêmicos assistiram às apresentações

Além da palestra dos membros do Comitê de Integração Continental, o Acadêmico Francisco Andriolo falou sobre os grandes desafios para a engenharia brasileira e sinalizou alguns caminhos a serem tomados. Ele lembrou que os recentes episódios ocorridos no parlamento brasileiro demonstram a total falta de compromisso com os interesses coletivos, cristalizam a crise moral existente e deixam evidente a necessidade de uma reorganização de vários grupos da sociedade brasileira. Neste ponto, destacou o papel da ANE para essa reorganização e sinalizou alguns aspectos para que a Academia desempenhe essa função.

De acordo com o Acadêmico, é importante realizar vídeos e palestras para atingir a “elite pensante” e auxiliar a divulgação das atividades da Academia, além da realização de um simpósio para debater questões de relevância nacional. Essas e outras sugestões serão analisadas pelos Acadêmicos.

Participaram da reunião, os Acadêmicos Acher Mossé, Alberto Sayão, Alcir de Faro Orlando, Djenane Pamplona, Eduardo Brick, Flavio Miguez de Mello, Francis Bogossian, Janvrot Miranda, Hans Weber, Pedro Magalhães Guimarães Ferreira, Fernando Sandroni, Luiz Calôba e Willy Lacerda.