No final de 2011 foi realizado no Rio de Janeiro um Seminário Internacional promovido pelo MCTI/MDIC e organizado pelo Prof. Cassiolato, da UFRJ.
Destinou-se à avaliação dos impactos da crise internacional na estrutura produtiva global. Vários países se fizeram representar. Acadêmico Fernando A.R. Sandroni foi o representante do Brasil ao lado do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães na sessão de abertura que discutiu as " Políticas de Inovação em um Contexto de Crescimento e Crise".
 
O livro que englobou os trabalhos então apresentados foi lançado em 25 de março de 2015na Livraria Cultura da Rua Senador Dantas, 45 " Centro - RJ.
 
Para grande satisfação e honra suaexposição não figurará como um dos trabalhos mas sim, adotada pelos editores, como o prefácio do livro.


RedeSist - 
Seminário Internacional Políticas de Inovação em um Contexto de Crescimento e Crise
 

                                                                                                Fernando A. R.Sandroni (1)

                                                                                                            Setembro 2011

Crise financeira e seus impactos na estrutura produtiva global.
O papel do Brasil.
 
Permitam-me os senhores iniciar minha fala lembrando que  a civilização grega, criadora da democracia, possuía um princípio sagrado, arraigado à sua convicção cultural que era a condenação ao desmedido, ao excessivo, ao desabrido. Para este conceito era usada a palavra "hybris". Cometiam a "hybris" o cidadão, o governo ou mesmo uma coletividade que se deixava levar pelo destempero, por aquilo que rompe e ultrapassa os limites e princípios do "metron", ou seja, da justa medida.
 
A história tem nos mostrado inúmeras situações de "hybris".
 
A mais recente é a que levou o mundo à crise de 2008, cuja fase recidiva hoje atravessamos e que apresentará efeitos perversos ainda durante muitos anos.
O que teria levado os detentores do maior poder econômico-financeiro mundial ao desregramento que abalou e continua a abalar os próprios fundamentos da economia dos países mais ricos do mundo? Como teriam passado desapercebidas, ou quase desapercebidas, as movimentações financeiras com suas inovações e articulações internacionais geradoras de desequilíbrios tão profundos, com reflexos tão perversos em questões sociais como o desemprego, por exemplo?
(1) Presidente do Conselho Empresarial de Tecnologia da Firjan
      Presidente do Comitê de Inovação Tecnológica da Academia Nacional de Engenharia - ANE
 
Lester Thurow, renomado scholar do M.I.T., foi um dos primeiros a enunciar conceitos intimamente ligados ao desenrolar das situações que hoje vivemos. Seu livro "O Futuro do Capitalismo", lançado em 1996, tem como fulcro a idéia de que as questões sociais, econômicas e políticas no mundo moderno comportam-se como placas tectônicas dotadas de movimentos subterrâneos quase imperceptíveis, lentos e contínuos, que em determinado momento manifestam-se em eclosões extraordinárias, tais como terremotos ou tsunamis. Vários são os temas por ele tratados analogamente aos movimentos tectônicos.
 
Ficamos aqui com apenas dois destes temas, que se referem especificamente ao nosso assunto de  hoje.
 
Em primeiro lugar a constatação de que o lento processo que levou o socialismo ao fracasso como sistema econômico (constatação ainda recente em 1996) deixou o capitalismo sem opositor, sem rumo e sem referência. Sem seu competidor, o capitalismo ao invés de caminhar em processo de reinvenção, deveria se voltar para sua forma mais primitiva na procura do lucro fácil, tenderia ao descomedimento, ao desregramento, à "hybris".
 
A crise de 2008 concretiza, no fato, o pensamento prospectivo de Thurow nos anos 90. Análogos às placas tectônicas de movimento lento e contínuo, instrumentos financeiros como hedge funds, derivativos, títulos imobiliários e vários outros, inicialmente concebidos para o desenvolvimento seguro dos mercados, despojaram-se paulatinamente de seus elementos de controle levando o mundo a uma crise sem precedente, cujo desfecho está ainda fora do alcance de previsões minimamente seguras. 
 
 
 
 
O segundo tema enfoca as mudanças tecnológicas modernas em direção a uma era dominada por indústrias baseadas em capacidade cerebral (man-made brainpower industries). Estas indústrias apresentam características claras no pensamento de Thurow, mas são hoje genericamente tituladas de indústrias do conhecimento. Temas específicos deste Seminário referem-se a estas indústrias. Voltemo-nos, portanto, para estas questões.
 
Também na década de 90 o pensamento americano detém-se criticamente no exame das tendências mundiais do desenvolvimento tecnológico. Examina a fundo o sucesso do modelo japonês que já nos anos 80 ameaçava a dinâmica e estratégica indústria micro-eletrônica dos Estados Unidos. O impacto da entrada japonesa no mercado americano foi enorme e não restou ao governo daquele país senão impor ao Japão uma pesada taxa alfandegária (100%), visando dar tempo e fôlego financeiro para a reestruturação da sua indústria.
 
?? interessante notar que também em 1990 o Ministério do Comércio Internacional e da Indústria Japonês, o poderoso M.I.T.I., estudava prospectivamente as indústrias que apresentariam maior crescimento nos anos 90 e início do século XXI, listando: microeletrônica, biotecnologia, robótica, computadores (soft e hardware), novos materiais e telecomunicações. Todas elas indústrias da capacidade cerebral que poderiam se localizar em qualquer ponto do globo terrestre, como diria Thurow. São basicamente as mesmas que serão examinadas neste Seminário.
 
No bojo das discussões sobre reestruturação industrial, Donald E. Stokes, da Universidade de Princeton, lança em 1997 um livro que se tornou um clássico sobre a Inovação Tecnológica e suas relações com a ciência. Rediscute o famoso modelo linear de Vannevar Bush do pós guerra, que dominava até então o pensamento científico americano.
 
O livro de Donald Stokes, "O Quadrante de Pasteur " Ciência Básica e Inovação Tecnológica" teve o condão de condensar o pensamento de outros "scholars" que vinham se opondo ao modelo linear. Seu título era uma homenagem ao grande cientista francês que partindo de considerações de uso (melhoria científica de métodos fermentativos), abriu o caminho para todo um novo ramo da ciência: a microbiologia.
 
Trata-se, nesse caso, do exatamente oposto ao modelo linear de Vannevar Bush. Em resumo, Donald Stokes propõe que considerações de uso da ciência aplicada, e de entendimento, da ciência básica, não são excludentes no esforço de desenvolvimento da inovação tecnológica. Mais do que isso, a ciência aplicada pode ser uma fantástica "driving force" para o progresso da ciência básica, como o exemplo de Pasteur demonstrara. Stokes não se limita ao exemplo da microbiologia. Menciona "a física de Kelvin, inspirada por uma profunda visão e necessidade do império inglês, a química alemã que lançou as bases da indústria dos corantes sintéticos e posteriormente, dos produtos farmacêuticos e dos plásticos."
 
Não havia, pois, nada a estranhar no célere avanço japonês no desenvolvimento tecnológico com massivos investimentos em pesquisa aplicada e tecnologia que levaram a coisas novas como a interação da química com a eletrônica e desta com a mecânica, fundamentando avanços importantíssimos em circuitos integrados e na robótica. Beneficiavam-se os japoneses dos conhecimentos da ciência básica desenvolvida nos Estados Unidos, assim como estes, na primeira metade do século XX usaram exaustivamente a ciência produzida até então majoritariamente pelos europeus.
 
 
Uma brevíssima ilustração final deste ponto: a China, no século XVI, já havia desvendado segredos da natureza em quantidade e qualidade muitíssimo superiores ao que fizera a Europa de então.  São muitos os campos daquela superioridade. Um exemplo marcante é a pólvora usada na China durante séculos apenas para fogos de artifício.(existem muitos outros). Coube, no entanto, aos europeus, a transformação do uso daquele conhecimento. A China não se transformou em potência econômica, política ou militar. Países europeus o fizeram. Passados seis séculos ela emerge como candidata à liderança mundial, usando a ciência básica onde ela estiver disponível.
 
Passo a expor, como solicitado, algumas idéias relacionando a crise às possíveis  oportunidades dela decorrentes, com foco na inovação tecnológica.
 
O tempo disponível nos leva a um pano de fundo inexoravelmente reducionista: de um lado a China em plena execução de uma estratégia de longo prazo, iniciada há várias década e visando o mercado mundial, do qual seu mercado interno é, ao mesmo tempo, parte e alavanca. Dar emprego com qualidade crescente à sua enorme população exige o mundo como mercado. O oxigênio que dá vida a este processo é retirado de onde ele existir. O pipeline  usado para este transporte baseia-se principalmente no câmbio favorecido e mantido com mãos de ferro, associado a uma enorme capacidade de trabalho a custos baixos. Sustentabilidade e meio-ambiente não parecem ser fatores  considerados.
 
Os produtos usam tecnologia de fabricação (muitas vezes importada) aprimorada ao longo do processo contínuo de produção. Produtos que já foram de baixa qualidade deixam paulatinamente esta categoria, melhoram e são exportados para mercados onde competem com os fabricantes locais.
 
De outro lado os Estados Unidos, mergulhado na "hybris" do sistema financeiro, enfraquecido em sua estrutura produtiva por anos de transferência de empregos industriais para o oriente, porém ainda a maior potência econômica e militar do planeta, procura se reerguer com políticas econômicas defensivas e de médio-curto alcance. Recorre à uma continuidade, já posta em dúvida, do aumento de um brutal endividamento do Estado e à desvalorização da moeda. Diz o prêmio  Nobel de 2006, Edmundo S. Phelps, em recente entrevista sobre a atual situação americana: "... a maioria dos sinais sugerem que caminhamos para anos de inovação mais lenta e crescimento econômico reduzido."
 
Alguns países europeus e o Japão que são também tanto artífices como vítimas da "hybris" financeira seguem caminhos paralelos aos dos Estados Unidos, com diferenças tanto para melhor quanto para pior. Apenas como exemplos: a guerra no Afeganistão e a força de ocupação no Iraque de um lado e a proximidade territorial com problemas de toda ordem no norte da África, de outro.
 
?? neste contexto que se procura fazer uma tentativa de posicionamento do Brasil. Toma-se como praticamente definido o baixo crescimento da economia mundial sem descartar a possibilidade de estagnação ou mesmo depressão. Os países emergentes também diminuirão sua taxa de crescimento. Mesmo crescendo menos, mercados destes países serão objeto do desejo de empresas que observam seus mercados habituais em estagnação. Os métodos utilizados serão múltiplos, desde a manutenção da pressão de sucção do pipe-line com que a China suga mercados onde eles existam, até os investimentos diretos em instalações industriais de terminação de produtos que importam insumos de seus países de origem.
 
Vejamos algumas especificidades do nosso país.
 
Na última década o Brasil evoluiu muito no estabelecimento de um marco legal de estímulo à inovação, a despeito da necessidade de correções e melhoramentos.
 
A FIRJAN orgulha-se de ter participado nesta evolução, expondo ideias e propondo ações em seus Cadernos de Tecnologia, algumas da quais foram acolhidas e contribuíram para a formulação de leis federais e estaduais. Já em 1999 a FIRJAN encaminhara ao governo a proposta de um " Programa Brasileiro para a Inovação Tecnológica", cujos termos podem ser considerados atuais nos dias de hoje.
 
Passou-se a dispor desde o ano 2000 de um excelente sistema oficial de medição dos investimentos das empresas em atividades inovativas, realizado pelo IBGE. Através dele pudemos medir, por exemplo, a influência das variáveis econômicas exógenas no investimento das empresas em atividades inovativas. Foi possível verificar a magnitude deste impacto. Entre os anos 2000 e 2003, por exemplo, com juros e inflação muito altos e com câmbio extremamente volátil, os investimentos no Brasil tiveram decréscimo real médio de 8,1% ao ano. Com a melhora das expectativas econômicas em 2004 e 2005, refletida na queda dos juros e da inflação e com o câmbio razoavelmente estável, os investimentos apresentaram um crescimento médio real de 12,6% ao ano. Ficou assim demonstrado que a indústria brasileira pode crescer em atividades inovativas  com taxas de crescimento real de 2 dígitos.
 
Entre 2005 e 2008 o Brasil ainda apresentou taxa positiva de crescimento daqueles investimentos, da ordem de 4,5% ao ano, valor bem menor que o do período anterior, que já refletia uma tendência de apreciação exagerada do real, com o aumento das importações de bens industrializados que impactam cadeias internas de produção. Já se captava também sinais da crise iniciada no final de 2008. 
 
Em anos recentes a CNI e Federações Estaduais criaram programas de conscientização das empresas em relação à importância da inovação, sendo o mais importante e abrangente o Movimento Empresarial pela Inovação. O principal obstáculo que este programa enfrentará, a nosso ver, é a escassez de pessoal qualificado para as tarefas definidas. As metas propostas são ambiciosas.
Portanto, mesmo que não sejam atingidas, o país deverá apresentar progressos que, no entanto, dependerão muito mais de questões que adiante serão expostas.
 
O programa deste Seminário apresenta três cortes muito bem propostos. O primeiro enfoca atividades transversais de grande importância: biotecnologia e nanotecnologia. O segundo trata de setores verticais: Energias Renováveis, Complexo Industrial da Defesa, Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e Complexo Industrial da Saúde. O terceiro trata do Petróleo e do Pré-Sal.
 
Biotecnologia e nanotecnologia são áreas científicas importantes não só pelas possibilidades seminais para muitas áreas industriais e agrícolas, mas, também e especificamente para o Brasil, por serem áreas novas do conhecimento humano em que o nosso país pode obter um bom posicionamento, num processo de "catching up" em relação aos países mais avançados. Assim, o Brasil pode e deve avançar em sua ciência. Na ciência básica mas especialmente na ciência aplicada. São áreas em que aparece claro o paradigma do Quadrante de Pasteur proposto por Donald Stokes.
 
Mediante os exemplos da biotecnologia e da nanotecnologia, mas também para outros campos da ciência, considero que deve ser reformulado o tácito pacto atual ligando governo, comunidade científica e comunidade empresarial, no sentido de manter e ampliar o apoio à ciência básica, mas estimular com ainda muito maior vigor as atividades da ciência aplicada de que o país necessita.
 
Os outros dois cortes incluem de um lado setores em que o Brasil mostra avanços significativos como as energias renováveis, com destaque para o álcool automotivo e o petróleo e, de outro, setores onde o país se encontra muito atrasado em termos de desenvolvimento tecnológico.
 
Algumas palavras sobre os dois mais carentes, a meu juízo.
 
O Complexo Industrial da Saúde representa, pela sua própria denominação um importante avanço conceitual e de prática política. Neste sentido, a indústria tem contado atualmente com o apoio do governo. Não me deterei nos detalhes, pois haverá um painel específico, mas como este é um setor de que também participei como dirigente de empresas há alguns anos, gostaria de lembrar que:
 
  •   O Brasil já foi produtor de 50% de suas necessidades de medicamentos no início do século XX.
  •   Um novo paradigma tecnológico sustentado por inovações na síntese química e pela descoberta dos antibióticos durante a 2ª guerra permitiu um grande salto das indústrias estrangeiras que passaram a controlar mais de 90% do mercado brasileiro.
  •   Outras técnicas de pesquisa iniciadas nas últimas décadas do século passado, como a arquitetura molecular que faz grande uso dos computadores permitiram um avanço ainda maior das grandes empresas.
  •   Em outro avanço científico recente passamos a dispor de medicamentos derivados da biotecnologia.
 
?? dentro deste quadro que julgo imperioso um enorme esforço brasileiro no sentido de aumentar a produção interna de insumos farmacêuticos. Mesmo que a produção de grande parte dos "building blocks" da indústria de síntese química tenha sido deslocada para a China e a Índia, parece ainda existir algum espaço nesta área para o Brasil, de acordo com especialistas. A produção cada vez maior dos medicamentos genéricos em todo o mundo pode ser um elemento importante neste sentido. Creio, no entanto, que deverá ser feito um grande esforço de pesquisa aplicada no plano interdisciplinar das chamadas ciências da vida, onde deverá se apoiar cada vez mais o tratamento da saúde das populações.
 
O Complexo Industrial da Defesa possui as mesmas características de importância estratégica do Complexo Industrial da Saúde para um país como o Brasil, que pretende, com justiça, participar crescentemente do jogo do poder político mundial. Um esforço de produção interna foi feito no Brasil na década de 70.  Mas os anos 80 e 90 com suas injunções políticas e econômicas levaram a indústria brasileira tanto na área de fármacos como na de equipamentos de defesa à quase extinção.
 
Um novo entendimento da importância destas indústrias parece estar ressurgindo no país, estando mais avançado, na minha percepção, no Complexo Industrial da Saúde.
 
Registro finalmente que a micro-eletrônica, a cibernética industrial e os defensivos agrícolas não estão previstos serem tratados especificamente neste Seminário. Admito, no entanto, que a despeito de sua importância, a brutal concentração do mercado mundial em poucas empresas a partir dos anos 90 tornou muito difícil sua abordagem, que exige tratamento diferenciado.
 
Quero concluir com a síntese de algumas considerações gerais do ponto de vista da inserção do Brasil no cenário internacional:
 
1)    A redução da taxa de crescimento da economia dos países mais atingidos pela crise financeira levará as empresas daqueles países a uma óbvia política  de ampliação de "market share" nos países emergentes. O Brasil não estará imune a esta pressão. A China procurará manter seu pipeline a todo custo. Esta situação não constitui  uma oportunidade para o Brasil que será levado a praticar uma política defensiva de mercado que tende a se generalizar no mundo. Uma oportunidade poderá surgir em função de diferenciais de taxas de investimento em  inovação tecnológica que se expõe a seguir no item 3.
 
2)    A inovação não depende apenas da atitude do chamado setor produtivo e de suas relações com universidades e institutos de tecnologia. ?? algo mais amplo, que se relaciona com estratégias gerais de desenvolvimento que incluem também e particularmente a política econômica e de comércio exterior. Acredito que este conceito começa a ser considerado no Brasil. Medidas recentes do governo brasileiro e intenções declaradas vêm nessa linha de pensamento.
 
3)    A inovação tecnológica nos países industrializados, a despeito de declarações de autoridades em contrário, deverá desacelerar seu ritmo com a redução da capacidade de investimento e a contração dos mercados. Exceções poderão ser empresas de alta tecnologia altamente capitalizadas. Merecem credibilidade, a meu ver, as recentes declarações nesse sentido do professor Edmund Phelps. Esta é a única janela de oportunidade a ser considerada: acelerar nosso ritmo de investimentos em tecnologia e ciência aplicada que possam estimular políticas de "catching-up" em relação a paises desenvolvidos. Isto requer a reinvenção do pacto governo-ciência/tecnologia-comunidade empresarial. Todos sabem o que devem fazer: ao governo cabe  criar condições isonômicas para a produção das empresas aqui instaladas e investir pesadamente nos Institutos de Tecnologia. Aos que lidam com a ciência, saber que ficamos orgulhosos ao verificar que o Brasil produz ciência básica de qualidade mas que quando se trata de inovação devemos trabalhar no quadrante de Pasteur e não no modelo linear. Os empresários devem entender que a proteção de mercado contra a competição danosa tanto em setores maduros quanto em setores nascentes é necessariamente transitória quando aplicada . E se preparar para tal. Caberia também aqui uma palavra sobre a importância dos Parques Tecnológicos e das Incubadoras de Empresas mas não há tempo disponível.
 
4) O crescimento médio real dos investimentos das empresas em atividades inovativas no biênio 2004-2005, de 12,6%  ao ano, mostra ser possível para o Brasil crescer com taxas de 2 dígitos. Uma taxa média mínima de 10% ao ano permitiria dobrar aqueles investimentos em 8 anos. Esta é uma meta factível.
 
 5) Ciência e Tecnologia estão no centro das questões do nosso desenvolvimento de longo prazo e assim deverão ser tratadas se quisermos bons resultados.