Especialista defende potencial logístico do ES: “Vitória como capital do corredor Centro-Leste”

 

Acadêmico Paulo Augusto Vivacqua falou sobre transportes

 

O presidente emérito Paulo Vivacqua ministrou no dia 25 de maio a palestra “Transporte Integrado, o Espírito Santo e o Desenvolvimento do País”, na sede do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo(Crea-ES), sendo uma promoção da Academia Nacional de Engenharia. Na ocasião, o especialista reforçou que o desenvolvimento do potencial econômico capixaba passa justamente por redes de integração de transporte que dêem vazão para o crescimento de cidades e das cadeias produtivas.

O engenheiro, iniciou sua fala reforçando que, em um país como o Brasil, a navegação de cabotagem e uma logística desenvolvida de portos e ferrovias deveriam ser mais utilizadas do que o transporte rodoviário. “Não faz sentido que um país com extensão de continente como o Brasil se utilize basicamente de rodovias para fazer o transporte”, disse. O Plano Nacional de Logística de Transportes (PNLT) prevê que, em 2025, de 29% de toda a carga transportada no Brasil seja por modais aquaviários.

A modalidade de transporte mais utilizada em nosso país ainda é o modal rodoviário. No Espírito Santo não é diferente. As BRs 101 e 262 são as principais rodovias que cortam o Estado e, paradoxalmente, os dois maiores gargalos rodoviários do Espírito Santo. Tanto uma quanto a outra foram construídas há cerca de 50 anos. Enquanto as obras de duplicação da BR 101 não cumprem os prazos estipulados em contrato; a BR-262, principal ligação da Grande Vitória com a região Serrana do Espírito Santo com o estado de Minas Gerais, está com a sua duplicação paralisada.

Vitória – capital do corredor Centro-Leste
O engenheiro Paulo Vivacqua destacou também as potencialidades do Corredor Centro-Leste, obra que ajudou a projetar e atualmente envolve uma malha de infraestrutura viária com rodovias, ferrovias e portos que passa por sete estados: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Minas Gerais e Espírito Santo. “Eu criei o corredor Centro-Leste. Por essa razão, em um determinado momento, o Espírito Santo ultrapassou Santos na exportação de grãos no início da década de noventa. Criamos o conceito da cidade de Vitória como capital do corredor Centro-Leste”, disse. “Esse corredor tinha que ser continuado avançando em outras modalidades de cargas”, complementou, falando sobre as linhas férreas que alcançam a capital do Estado e poderão possuir ligação até o Peru.

Atualmente o Espírito Santo possui duas ferrovias: a ferrovia Vitória-Minas da Vale que transporta passageiros do Espírito Santo a Minas Gerais e vice-versa, bem como é utilizada para o transporte de minério de ferro que vem de Minas Gerais. Já a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) opera o único trem de passageiros diário no Brasil que liga duas regiões metropolitanas: Cariacica e Belo Horizonte (MG). Conta também com a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), que liga Vitória ao Rio de Janeiro, essa ferrovia é o principal eixo de conexão ferroviária entre as regiões nordeste, sudeste e centro-oeste do Brasil.

Portos precisam da suplementação de modais
Basta olhar para o mapa do Brasil e perceber que a posição geográfica estratégica faz do Espírito Santo um importante vértice logístico do país. O Palestrante Paulo Vivacqua destacou que ter uma estrutura portuária adequada e integrada faria com que o Espírito Santo se colocasse na rota das principais linhas marítimas mundial. “O Estado precisa dar vazão para este potencial”, salientou.

O complexo portuário do Espírito Santo é um dos maiores da América Latina, é de extrema importância para o desenvolvimento do Estado e do país. É responsável por cerca de 9% do valor exportado e por 5% do valor importado pelo país. No total, movimenta em torno de 45% do PIB Estadual.

O Porto de Barra do Riacho (Aracruz) é o maior porto brasileiro especializado em movimentação de celulose, respondendo por 70% das exportações do País. O Porto de Tubarão (Vitória) é o maior exportador de minério e pelotas do mundo. O Porto de Praia Mole (Vitória) é responsável por 50% das exportações de minério no Brasil. O Porto de Vitória (Codesa) movimenta seis milhões de toneladas/ano e, com a conclusão de sua dragarem e derrocagem no final de 2017, espera chegar a oito milhões de toneladas. Os Portos de Regência (Linhares) e Norte Capixaba (São Mateus) são de uso da Petrobras. Já o Porto de Ubu (Anchieta) dá suporte para Samarco, que permanece com suas operações paralisadas.

ES pode ter mais dois aeroportos
O transporte aéreo capixaba precisa de iniciativas que demandem menos tempo para efetivação que o aeroporto de Vitória, que levou 16 anos para ficar pronto e custou mais que o dobro do previsto. Primeiro anúncio da construção aconteceu em 2002, mas as obras começaram somente em 2005. Depois de uma paralisação que durou 10 anos, foram retomadas em 2015. O terminal foi inaugurado em março de 2018. A demora custou mais caro para o cidadão: o gasto final com a obra foi de mais de R$ 559 milhões, diferente dos R$ 200 milhões anunciados em 2002.

As obras de ampliação do Aeroporto Regional de Linhares, Norte do Estado, devem começar até o final do ano, segundo o Governo do Estado. Já a construção de um aeroporto de cargas na Serra já recebeu emenda prioritária da bancada federal capixaba, mas o projeto ainda não recebeu dotação orçamentária ou saio do papel. Estudos técnicos para construção do aeroporto já foram feitos e indicam que os custos estimados são da ordem de R$ 200 milhões.

Fonte: Site Crea-ES