“Projeto Guarani representa a retomada da capacidade de projetar e fabricar viaturas blindadas de rodas no Brasil”

A afirmação foi do coronel do Exército Eduardo Gomes em palestra organizada pela ANE

CORONEL EDUARDO
O coronel Eduardo Gomes explicou o motivo da renovação da frota

As inovações do Blindado Guarani, cujo projeto foi desenvolvido no Brasil, foram apresentadas pelo coronel do Exército Eduardo Gomes Ferreira Pinto durante a palestra “Viatura Blindada Guarani – Programa Estratégico do Exército Brasileiro”, proferida no dia 22 de junho, na PUC-Rio. Além de apresentar o novo veículo, o coronel abordou o financiamento do projeto, as contribuições para a pesquisa no Brasil e destacou o maior mérito da iniciativa. “O grande produto do Guarani não é o carro, mas sim o reforço na Base Industrial de Defesa com a retomada da capacidade de projetar e fabricar viaturas blindadas de rodas no Brasil. A propriedade intelectual do projeto, a transferência de know how, isso é o que faz a diferença”, afirmou.

Ele explicou também a necessidade de modernizar a frota, substituindo os blindados Urutu e Cascavel. “A cada 15, 20 anos as condições de combate mudam. Poderíamos aproveitar a carcaça do Urutu, que já tem 40 anos de uso, e atualizar o carro, mas a blindagem é feita de um aço que não é mais fabricado no Brasil e cujo valor é maior do que o usado hoje. Além disso, o Guarani oferece mais proteção, possui uma eletrônica embarcada capaz de agilizar as operações, e oferece maior o conforto à tropa – o novo blindado possibilita que ela viaje embarcada por quatro horas e chegue bem ao local, o que não acontecia no Urutu. Seria possível fazer essas atualizações no carro antigo, mas não sairia mais barato do que construir um carro novo e ele não teria as mesmas possibilidades”, esclareceu. O projeto do Guarani foi financiado pela Finep e pelo Exército que tem a propriedade intelectual e participação de 3% de royalties na venda do blindado – o Líbano já adquiriu algumas unidades.

Logo na abertura, o coronel Eduardo Gomes explicou os impactos da medida. “A decisão de modernizar a frota e desenvolver a tecnologia no Brasil levou à adequação de diversos setores do Exército, pois não atingiu apenas a área de pesquisa e desenvolvimento. Há muitos setores envolvidos já que o treinamento muda; a infraestrutura; as garagens; e oficinas são diferentes”.

A Viatura Blindada de Transporte de Pessoal – Média de Rodas (VBTP-MR) faz parte de uma família de blindados composta por 12 modelos em desenvolvimento. Em sua apresentação, o coronel Eduardo Gomes traçou o histórico de projeto, iniciado em 1996 com a formação de um grupo de trabalho para discutir a renovação da frota militar e teve seus primeiros blindados entregues em 2014. Ele apresentou também as inovações do blindado – uma viatura anfíbia com proteção antiminas. “Em um blindado, o que determina a forma do carro é a proteção balística. O Guarani suporta até 6 kg de explosivo em cada roda. Ele passou por testes de proteção antiminas na Alemanha e foi aprovado”, explicou o coronel, ressaltando que o novo blindado foi equipado com diversos dispositivos para aumentar a capacidade de sobrevivência da tropa.

O carro dispõe de um sistema de controle da cabine, que inclui ventilação forçada, com filtro químico, biológico e nuclear (QBN). Assim pode garantir a saúde de seus ocupantes mesmo em caso de ataque químico. “Ele tem uma parte de filtros e sensores que permitem atravessar áreas afetadas por ataques químicos e se evadir. Ele não é para limpar a área, mas garante a segurança da tropa por algumas horas”, contou. O tanque possui também sistema automático de extinção e detecção de incêndio e ar condicionado. A proteção balística e antiminas é composta por aço e spall liner – uma forração de fibra montada internamente para proteção dos tripulantes contra projeção de estilhaços. “No caso de ser atingido, esse sistema não deixa o artefato explodir. Ele separa o combustível comburente e o sistema de ventilação troca o ar rapidamente para evitar o aquecimento interno”, explicou.

Para o coronel Eduardo Gomes, a grande inovação do projeto é o comando de controle, capaz de transmitir informações fundamentais para o escalão superior. “Essa é uma das grandes inovações do veículo. Ele permite que todas as informações necessárias para a tomada de decisão sejam transmitidas para o escalão superior. É possível saber se o combustível está acabando, identificar sua localização e a localização do inimigo, enfim várias informações”, concluiu. Organizada pela ANE, a palestra reuniu acadêmicos e teve como objetivo apresentar ao público uma grande obra de engenharia nacional.