Odebrecht - 22/06/2011 Almirante Alan Arthou - RJ

Defesa Nacional: uma medida para proteger bens e alavancar tecnologia

Coordenador do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear da Marinha, o Contra-almirante (RM1-EM) Acad. Alan Paes Leme Arthou diz que é preciso mudar a visão geral que se tem sobre Defesa Nacional. “Não temos investido regularmente em tecnologia de defesa. É preciso entender que defesa não é um ato presente, mas sim um inibidor para qualquer agressão. Não é uma hipótese sobre contra quem vamos lutar; temos bens e precisamos dissuadir possíveis aventuras”, afirma o Contra-Almirante.

Graduado Ciências Navais pela Escola Naval e em Eng. Naval pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP), onde também fez mestrado em Eng. Naval, e com pós-graduação em Projeto de Submarinos pela IKL – Alemanha, o Contra-Almirante ressalta que o Brasil tem tecnologia de ponta em alguns setores como os de exploração em águas profundas, construção de hidrelétricas, ultracentrifugação e reatores. “Já conseguimos produzir urânio enriquecido e colocar no mercado com preço menor do que o oferecido pelo mercado internacional. Fornecemos as ultra centrífugas para a INB (Indústrias Nucleares do Brasil) que produz combustível para as usinas de Angra 1 e 2.”

O enriquecimento do urânio por ultracentrifugação é a principal etapa industrial do ciclo de produção do combustível nuclear. Além do Brasil, somente os Estados Unidos, França, Holanda, China, Rússia, Inglaterra e Alemanha detém essa tecnologia.

Atualmente, a Marinha investe na produção do submarino nuclear brasileiro (a previsão é de de que esteja pronto até 2023 e operando em 2025). O projeto do submarino nuclear existe desde os anos 1970, porém, com a descoberta do pré-sal, o patrulhamento do território submerso na costa brasileira – chamado de Amazônia Azul – ganhou importância já que a área é fonte de 90% do petróleo brasileiro e rota de 95% do comércio exterior.

“Acredito na nossa indústria; capacidade não nos falta, o que precisamos é a motivação da agregação em torno de um projeto de grande desafio, para provocar uma alavancagem tecnológica, subindo o patamar tecnológico de nossa indústria. Hoje, muitas fábricas são subsidiárias de empresas internacionais e por isso ficam a mercê das decisões tomadas pela matriz”, analisa o Contra-Almirante Acad. Alan Arthou, que atuou como diretor do programa de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Nuclear do Ministério de Ciência e Tecnologia e foi encarregado de vários projetos para a Marinha nos últimos 35 anos.

Currículo (.pdf)