Otto de Alencar Silva

Cadeira: 177
Atual Ocupante: Renato Moraes de Jesus (Posse 2015)

Otto de Alencar Silva (1874-1912) nasceu em Fortaleza, Ceará, filho de Silvino Silva e Maria Alencar Silva. Após concluir seus estudos secundários em Fortaleza, Otto de Alencar transferiu-se para a cidade do Rio de Janeiro para matricular-se na Escola Politécnica. Em 1893, aos graduou-se em engenharia civil. Entre 1895 e 1902 exerceu a livre-docência na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, ministrando aulas sobre Geometria Analítica, Cálculo Diferencial e Integral, Mecânica Racional. Em 1902 foi nomeado professor substituto interino para a seção de Física, Astronomia e Topografia da Escola Politécnica. Em 1907 a Congregação da Escola Politécnica o nomeou para o cargo de professor substituto efetivo. Otto de Alencar passou a publicar trabalhos científicos a partir de 1897. Foi um pioneiro da pesquisa matemática séria no Brasil. O seu ensino era admirável, no fundo como na forma, e dele data uma completa renovação dos estudos matemáticos na Escola Politécnica.

Ao perceber o anacronismo da ideologia positivista de A. Comte no que dizia respeito ao desenvolvimento das Matemáticas, bem como ao seu ensino no Brasil, Otto de Alencar passara a se rebelar contra a influência daquela ideologia sobre a incipiente comunidade científica brasileira de então. Por meio de sua postura científica na qual postulava também o conceito de ciência não-acabada, aberta, isto é, o conceito de que a ciência não deveria ser constituída apenas de sua parte que estava pronta, contrariando desta forma boa parte do ideário comtiano, (relembramos que a Escola Politécnica de sua época fora um dos redutos da ideologia comtiana), Otto de Alencar iniciara em 1898, o ciclo de ruptura da influência do positivismo comtiano sobre a elite intelectual brasileira. Ele, apesar de solitário passara a representar a trilha por meio da qual os mais lúcidos membros da elite intelectual brasileira iriam acompanhar e solver a evolução das ciências, em particular, das Matemáticas que ocorria no velho continente. O ciclo de ruptura acima referido foi continuado por matemáticos, biólogos, geólogos, astrônomos como M. Amoroso Costa, Theodoro Ramos, Lélio Gama, Oswaldo Cruz, Adolpho Lutz, Carlos Chagas, Arthur Moses, H. Morise, dentre outros.

Otto de Alencar percebeu a importância, para um cientista, do contato com seus pares para a troca de ideias, apresentação e discussão de seus resultados científicos obtidos. Otto de Alencar participou ativamente (como membro de uma subcomissão e apresentado um trabalho) do 3o Congresso Científico Latino-Americano, que foi realizado de 6 a 16 de agosto de 1905, na cidade do Rio de Janeiro.

Fonte: http://www.dmm.im.ufrj.br/doc/otto.htm